quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Metade


Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio;
Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca;
Porque metade de mim é o que eu grito,
Mas a outra metade é silêncio...

Que a música que eu ouço ao longe
Seja linda, ainda que tristeza;
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante;
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade...

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece
E nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta
A um homem inundado de sentimentos;
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo...

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço;
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada;
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão...

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo
Se torne ao menos suportável;
Que o espelho reflita em meu rosto
Um doce sorriso que me lembro ter dado na infância;
Porque metade de mim é a lembrança do que fui,
A outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais;
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço...

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade para faze-la florescer;
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção...

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade... também.

Oswaldo Montenegro

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Existe um abismo
Um vazio profundo
Uma falta de querer e ser queridos
Uma falta de nascer e ter vivido
Um vão, uma lacuna, um espaço
Que falta ser preenchido
Talvez por fé ou por amor
Talvez por ódio ou rancor,
Apenas pelo fato de sentir
de Existir
De cair, e repetir
Mas não adianta, nunca se aprende
Continuamos a errar
A falhar
Continuamos a procurar
O que esteve do nosso lado
Por toda existência
Então se busca pela clemência
um pouco de esperança
um raio de sol
uma luz , que conduz
Que instrui
Que te trás de volta aos trilhos
Deste trem chamado vida
Que nunca para
Que nunca retrai
Que apenas segue
E nunca repele
Qualquer tipo de sensação
ou situação
de união, ou desunião
De um coração
Partido, dilacerado
Que só busca acertar
mas só consegue errar
mas não pode parar
Porque a vida continua
Flutua
então, se situa
Por isso erga-se
Liberte-se
e permita-se.


domingo, 9 de outubro de 2011

Máscara


A arte de se mascarar é um fato histórico, começou a muitos anos no Carnaval de Veneza , onde uma multidão saia de suas casas, todos mascarados e por uma noite faziam aquilo que desejavam, e quando encerrava-se o evento, retiravam suas mascaras, retornavam até suas casas e agiam como se a mascara nunca tivesse estado em seu rosto.
Hoje, as mascaras sociais tomaram conta de uma sociedade que se vê obrigada a esconder o seu verdadeiro eu. A maioria das pessoas apenas atua, suas identidades estão sendo perdidas, e os rótulos estão se dissipando rapidamente.
Quem nunca assumiu um personagem ? quem nunca fingiu ser aquilo que não era apenas para se encaixar em algum grupo , agradar alguém , ou ganhar aquilo que queria ? Essa é a realidade, todos somos atores, mas alguns de nós se esquece de "se livrar do personagem" ao final do ato e quando isso acontece , perde-se a essência.
Temos uma "essência" dentro de nós e isso deve sobreviver a qualquer tipo rótulo. Às vezes somos verdadeiros , às vezes usamos máscaras , às vezes agimos de coração , mas às vezes não. Somos humanos e falhos, mas estamos propícios a esses erros e acertos porque devemos aprender ao longo do nosso caminho com aquilo que vivenciamos.
Cada um usa uma "máscara" por algum motivo , assim como os mascarados de Veneza faziam , mas a pergunta é : qual é o verdadeiro rosto por trás da máscara ?